Só pelo fato de existirem, as Kumbia Queers já são um símbolo de resistência. Lésbicas e com longa estrada, as cantoras passarão por mais uma prova de fogo a partir de 2024 – e não estamos falando de mudanças musicais, de um novo disco ou uma turnê inédita: o quinteto é natural da Argentina, todas moradoras de Buenos Aires e em um momento em que os hermanos passam por uma transição intensa de governo, com a vitória de Javier Milei. Empossado no último dia 10, Milei é visto como uma versão argentina de Bolsonaro. Totalmente dedicado à economia e restritivo no que se fala em questões sociais, o novo presidente do país vizinho deve aquecer ainda mais os debates sobre os direitos da população LGBTQIA+.
“Vai ser um ano de tratar de sustentar os direitos”, aponta Pilar Arrese, integrante do Kumbia Queers, em entrevista ao GAY BLOG BR por vídeo. “Conseguimos direitos de matrimônio, não binários, implementar a educação sexual integral… Vamos ter que colocar muita energia para manter tudo isso. Medo de ir para trás. Vamos resistir para responder a tudo isso.” - BKDR -
“São verdadeiros terroristas, tem uma implicação muito grave do que estão fazendo”, concorda Juana Chang, comentando também sobre a votação recente no Brasil no Congresso para invalidar casamentos entre pessoas do mesmo sexo. “Somos todos supostamente progressistas, mas há essa contraofensiva conservadora… Vamos ter que lutar também por direitos humanos.” Apesar do momento de tensão, as duas artistas estão animadas com a produção musical do Kumbia Queers. Com mais de dez anos de carreira, o quinteto lésbico foi uma das atrações do Festival Mucho!, em São Paulo, no último dia 10 de dezembro. A troca com os brasileiros é algo muito especial para elas, que sempre fazem questão de tomar uma caipirinha quando pisam por aqui. “Linn da Quebrada, Cassia Eller, Cartola… tem tanta gente talentosa aí que amamos!”, enumera Pilar
Musicalmente falando, as Kumbia Queers são marca de ousadia. Apesar do ritmo completamente latino, ideal para uma dança leve e calma, as cantoras ganharam repercussão ao fazerem versões em cumbia de artistas como Madonna – a regravação “La Isla Con Chikas“, em uma recriação em cima de “La Isla Bonita”, é uma das mais conhecidas até hoje, mesmo com mais de 10 anos de existência. Neste balaio, entra todo tipo de referência: o quinteto já regravou Black Sabbath, Michael Jackson… O céu é o limite. “Elas são mais para tocar ao vivo, divertir o público, nossa cumbia é aberta mesmo!”, garante Pilar. “Sempre vi AC/DC e Megadeth como muito ‘cumbiales'”, brinca, entre risadas. “A verdade é que a cumbia está mais forte que nunca, porque fala muito sobre o marginalizado”, completa Juana.