Nos anos 1970 a 1990, o medo tinha um nome: AIDS. A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida surgia como uma sentença de morte, enquanto o Brasil – e o mundo – lidavam com o completo desconhecido. Se você viveu aquela época, talvez se lembre das manchetes alarmantes, das campanhas cheias de tabus e dos olhares de desconfiança. Se não viveu, quem sabe nunca tenha ouvido falar do silêncio que se impôs sobre aqueles que adoeciam – nem da coragem de quem decidiu rompê-lo.
Nos hospitais, leitos inteiros eram isolados, pacientes abandonados pelas famílias, médicos sem respostas. Nos aeroportos, comissários de bordo escondiam medicamentos proibidos na bagagem. Em festas e bares, mulheres fingiam namoros com amigos gays para protegê-los de um sistema que os condenava antes mesmo da doença. Foi nessa rede de resistência – clandestina, improvisada, mas movida por amor – que surgiu uma nova forma de enfrentar a epidemia. Enquanto o governo hesitava, pessoas comuns se tornavam heróis.
E é nesse cenário que se desenrola Sangue Neon, romance histórico do médico e escritor Marcelo Henrique Silva. A obra mergulha em fatos pouco conhecidos da trajetória da AIDS no Brasil, como o contrabando de remédios pela Varig, as “amigas de aluguel” que protegiam gays do preconceito e a criação do primeiro abrigo para soropositivos pela travesti Brenda Lee. O livro também destaca momentos cruciais, como a quebra da patente do Efavirenz em 2007 e o primeiro diagnóstico da doença no país, em 1982.
Sangue Neon não é apenas um relato histórico – é um tributo àqueles que enfrentaram o pânico, a discriminação e a omissão do poder público com solidariedade e coragem. Em tempos de retrocessos e fake news sobre HIV, a obra resgata uma memória que não pode ser apagada. Afinal, conhecer o passado é essencial para não repetir seus erros. Ficou curioso? O livro já está disponível nas principais livrarias do país!